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Quando o Algoritmo Vira Cúmplice: A Falha Invisível na Governança Digital
Segundo o Canaltech Software, um levantamento do projeto Rede em Jogo, ligado ao CondadoLab da PUC-Rio, chegou a um número que deveria acender o alerta de qualquer diretor de empresa que lida com dado...
Márcio Petito
CEO da M3Solutions com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e segurança
Segundo o Canaltech Software, um levantamento do projeto Rede em Jogo, ligado ao CondadoLab da PUC-Rio, chegou a um número que deveria acender o alerta de qualquer diretor de empresa que lida com dados e reputação digital: 84% das operadoras de apostas mais recomendadas pelo algoritmo do Instagram são ilegais no Brasil. A pesquisa analisou mais de 55 mil contas e cruzou as informações com a lista oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas, a SPA. O resultado foi revelado pelo Intercept Brasil e escancara algo que muitos profissionais de tecnologia já suspeitavam: o algoritmo, quando mal calibrado ou mal fiscalizado, vira cúmplice de um problema estrutural.
Basta o usuário seguir uma única conta relacionada a apostas para que o sistema de recomendação da plataforma passe a empurrar outras dezenas de perfis parecidos, sem qualquer filtro sobre a legalidade da operação. É o efeito bola de neve que qualquer analista de dados reconhece de longe: o algoritmo aprende com o comportamento do usuário e reforça aquele padrão, sem se importar se o conteúdo entregue é regulamentado ou não.
Quando a tecnologia amplifica o problema em vez de resolver
Aqui está o ponto que interessa a quem trabalha com infraestrutura de TI e governança de dados: não é a tecnologia em si que é o problema, é a ausência de camadas de verificação e compliance embutidas no processo. Um algoritmo de recomendação, por natureza, busca engajamento. Ele não foi desenhado para checar se aquela bet está na lista oficial da SPA ou se opera na clandestinidade.
Isso me lembra situações que vejo constantemente em empresas de pequeno e médio porte: sistemas automatizados que funcionam muito bem para o que foram programados, mas que carecem de uma auditoria periódica para garantir que continuam alinhados com a legislação vigente. A automação sem supervisão adequada é como um funcionário extremamente eficiente, mas que nunca foi treinado sobre os limites éticos e legais da função.
Na M3Solutions, um dos primeiros diagnósticos que fazemos ao entrar em contato com uma empresa é justamente esse: mapear onde os processos automatizados podem estar gerando exposição de risco sem que ninguém perceba. Não estamos falando de redes sociais, claro, mas o princípio é o mesmo. Processos otimizados exigem revisão constante, não apenas implementação e esquecimento.
O que isso ensina sobre governança de algoritmos
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